POPULAÇÃO BRASILEIRA: Qualquer semelhança não é mera coincidência!!! PARTE 1


         

                                  Print da página inicial do site https://www.ibge.gov.br/apps/populacao/projecao/ - acesso em 15/05/2020 às 11h40min.


Demografia e Sociologia – Gilberto Freire na veia.

                Segundo o IBGE, considerando os dados de seu último senso em 2010, o Brasil é a quinta maior população do mundo. Ainda de acordo com o IBGE no cronômetro de crescimento da população nos estados da federação, a população Brasileira já ultrapassou 211.517.883 pessoas.

                Vamos pensar um pouco:

·         Mas quem realmente somos?
·         De onde viemos?
·         Onde moramos?
·         Qual nossa renda?
·         O que consumimos?
·         Que língua falamos?

Essas são apenas algumas das questões que o ESTUDO DEMOGRÁFICO, um ramo da Geografia estuda e tenta responder. Mas você deve estar ai se perguntando o que a Geografia e em especial a Demografia tem em comum com a Sociologia? Bom, essa é uma relação bastante privilegiada, e é sobre isso que iremos bater um papo hoje.

Então vamos nessa. E que tal começar com uma curiosidade?


                                              
                                                   
Primeiro Banho do Cascão por causa do COVID 19 – Imagem com direitos autorais de Maurício de Souza

Você sabia que o Brasileiro é o povo que mais toma banhos no mundo? Sim isso mesmo, somos os campeões nesse hábito. Nós tomamos em média 12 banhos por semana segundo uma pesquisa de 2015 da consultoria de análise de tendências Euromonitor, publicada no jornal “El País”. E o que podemos extrair dessa notícia com foco em nossos objetos de estudo: Demografia e Sociologia? Podemos começar nos perguntando como se chegou a essa conclusão.
Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (vamos falar muito desse órgão hoje), em sua tabela de número 4964, 60,9 % dos domicílios no Brasil possuem banheiro ou sanitário ligado a redes de esgoto, e segundo uma pesquisa a ANEEL Agência Nacional de Energia Elétrica, 72% dos domicílios tem chuveiro elétrico em casa.
O outro dado importante é apresentado pela empresa de consultoria Euromonitor (https://www.euromonitor.com) na área econômica e na área de mercado em vários setores em diferentes países do mundo, é a média dos banhos dos brasileiros.
Ambas usam a metodologia de estudos Demográficos, considerando fatores como o número de entrevistados, idade, renda familiar, localização, etc..., para chegar a essa conclusão: ”A de que somos o povo mais limpinho do mundo”.

Brincadeiras a parte chegou a hora de perguntarmos: mas e a sociologia nisso tudo?

Para ilustrar vamos citar Gilberto Freyre (1900-1987), sociólogo brasileiro autor do livro “Casa Grande & Senzala” de 1933 que é considerada uma das mais importantes e representativas obras sobre a formação Brasileira: Da cunhã é que nos veio o melhor da cultura indígena. O asseio pessoal. A higiene do corpo. O milho. O caju. O mingau. O brasileiro de hoje, amante do banho e sempre de pente e espelhinho no bolso, o cabelo brilhante de loção ou de óleo de coco, reflete a influência de tão remotas avós.
Como vemos o estudo dos hábitos culturais objeto da Sociologia, que também se utiliza dos métodos da Demografia e corroboram a tese que somos campeões de banho, e vai mais além: Mostra que esse costume é uma herança dos povos autóctones (indígenas como foram denominados posteriormente) que aqui viviam antes da ocupação do Brasil pelos Europeus (a diversidade étnica também é objeto de estudo da Demografia e Sociologia).

Amarrando tudo isso, para entendermos melhor a relação tão intima e privilegiada entre Demografia e Sociologia, vamos ressaltar alguns tópicos:

·         Cunhã, que significa mulher, é uma palavra em Tupi, um dos idiomas falados no Brasil (o senso de 2010 contou 274 idiomas indígenas diferentes e 304 etnias) pesquisados tanto em Demografia como em Sociologia (no estudo de línguas também já que o português brasileiro tem centenas de palavras em língua indígenas);

·         Hábitos alimentares e de cuidados com a higiene e saúde são objetos de estudo de ambas as disciplinas;

·         Os costumes das nações indígenas, incluindo ai seus hábitos alimentares, de consumo, tipo de moradia, assim como de toda a população de um pais, também são objetos de estudo compartilhados;

Como vemos Demografia e Sociologia são duas disciplinas do ramo das Ciências Sociais que muitas vezes servem de suporte uma à outra, não raro são complementares, ou ainda, dependendo do objeto de estudo, um desdobramento de um assunto comum às duas. Estudo esse que tanto pode se iniciar em uma ou outra disciplina de acordo com a abordagem inicial do tema.

Pois então! Realmente é uma relação bastante próxima e privilegiada não acham?
DEFINIÇÕES E CONCEITOS


DEMOGRAFIA

                                                         
Demografia vem da junção de duas palavras que tiveram origem no Grego, Demo, que significa povo e grafia que significa estudo.
Segundo o dicionário Caldas Aulete, Demografia é o estudo estatístico das populações humanas. Seu crescimento ou diminuição, composição, migrações etc., e suas condições sociais e vitais: nascimentos, mortes, casamento, saúde, alimentação entre outros aspectos inerentes à condição humana.

Segundo o Observatório da Juventude da Fiocruz (http://www.juventudect.fiocruz.br/categoria-ciencia/ciencias-sociais-aplicadas/demografia, acesso em 15/05/2010 às 18h 53 min), o conceito de Demografia é:

A DEMOGRAFIA é a disciplina que coleta, analisa e interpreta dados populacionais, relacionando-os com fatores educacionais, da saúde, do território, da economia e do meio ambiente. Demógrafos estudam, por exemplo, como as taxa de natalidade, mortalidade e migração são determinantes para aplicação de políticas públicas de saúde e educação em países de todo mundo.
                De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), há cerca de sete bilhões de habitantes no planeta. Para conhecer o impacto desse número na qualidade de vida e no meio ambiente, os demógrafos atuam em parceria com profissionais de áreas como Ciências Sociais, Geografia, Matemática e Estatística. Assim, eles criam gráficos e tabelas para analisar formas de superação da pobreza, melhores condições de saúde, envelhecimento e juventude da população.

Segundo o site Brasil Escola (https://brasilescola.uol.com.br/geografia/demografia.htm, acesso em 15.05.2010 às 18h59 min):

demografia é a área do conhecimento que se preocupa em estudar o comportamento, as transformações e a dinâmica geral da população, utilizando-se principalmente de elementos estatísticos e pesquisas qualitativas. Esse ramo do saber em muito se aproxima à Geografia da População, que, da mesma forma, também se preocupa com as dinâmicas populacionais, enfatizando as questões sociais relacionadas ao espaço geográfico.
A população é definida como o número de pessoas que habita um determinado território ou região. Dessa forma, os seus ciclos de crescimento, seu nível médio de renda, sua distribuição, entre outros fatores, são de fundamental importância para a compreensão do funcionamento dos diversos aspectos do espaço social.
Um dos elementos demográficos mais estudados pela Geografia da População e pela Demografia é o índice de crescimento populacional. O crescimento acelerado ou desacelerado das populações é algo constantemente debatido e teorizado por especialistas e teóricos dessas áreas do saber. Precisar com detalhes o funcionamento desse fator é importante para o planejamento de políticas públicas e ações sociais.
DEMOGRAFIA NA HISTÓRIA

Achille Guillard no século XIX, precisamente no ano de 1855, usou pela primeira vez o Termo Demografia no seu livro Elementos de Estatística Humana ou Demografia Comparada, mas ela é disciplina presente na história desde a antiguidade.
Já era importante para gregos, chineses, romanos entre outros povos da antiguidade e tem como um de seus primeiros Demógrafos o inglês John Graunt que já na metade do século XV elaborou métodos de estatística e de censo para criar tabelas com taxas de natalidade e mortalidade.

Antes inserida estritamente dentro do campo da antropologia, a partir da metade do século XX passou também a ser utilizada para o estudo dos animais e plantas.



SOCIOLOGIA
                                        

                                 
    Imagem do site brasilescola. uol.com.br/sociologia, acesso em 11/06/2020 às 12h38m.

Dentro das disciplinas que formam o conjunto das Ciências Humanas a Sociologia surgiu com a pretensão de unificar alguns campos de estudo nas diversas áreas que sustentam as sociedades estabelecidas, nas áreas da história, a psicologia, comportamento social e principalmente a economia, para compreendê-los de forma integral e encaixar os fenômenos investigados dentro do contexto social amplo de um determinado grupo social.
Você sabe o que é hibridismo? Pois é, a origem etimológica da palavra vem da mistura de latim com o grego. Socium do Latim que significa associações ou sociedade e Logos do Grego que significa tanto palavra, como razão e estudo. Uma palavra híbrida.
Auguste Conte o pai da Sociologia?
                                                              

Bom isso não se pode afirmar. Mas foi em 1838, em seu estudo intitulado Curso de Filosofia Positiva, que usou pela primeira vez o termo Sociologia.
Em sua obra Comte defende que os avanços da ciência não ficassem apenas no campo da soma dos conhecimentos humanos, mas que esses avanços fossem aplicados para o avanço da sociedade como um todo. Isso de forma muito resumida.
Comte propunha uma ciência da sociedade, capaz de explicar e compreender todos esses fenômenos da mesma forma que as ciências naturais buscavam interpelar seus objetos de estudo.
Segundo Comte a estrutura social da época era uma desordem apesar de encontrar-se em plena ebulição e crescimento tecnológico a estrutura da sociedade era um completo caos. Para que esse estado de confusão acabasse ele defendia a necessidade de estudar essa nova configuração da sociedade partindo do uso dos fundamentos da razão.
Comte propôs um modelo racional para colaborar com a mudança no pensamento social e, a partir daí, criou a Filosofia Positiva. Por pensar em um novo modelo de observação e interpretação das relações sociais, Auguste Comte é considerado um dos precursores da Sociologia e seus trabalhos sobre a nova ordem social influenciaram a obra do sociólogo Èmile Durkheim.
 Você poderá ler mais sobre o assunto e sobre o Positivismo, corrente que Auguste Comte foi o principal expoente e outras ideias diretamente em sua obra que está disponível em pdf gratuitamente pela coleção Os Pensadores em:

Só para você saber, Comte é um filósofo Francês nascido em Montpellier no ano de 1798. Reconhece a data? Pois é o mesmo ano da Revolução Francesa, um dos mais importantes acontecimentos da história que, segundo alguns historiadores do século XX, inaugurou a Idade Contemporânea que sucedeu a História Moderna, isso porque mudou radicalmente a política vigente na época. Mas não vamos nos alongar no assunto.


                                 
Execução de Maria Antonieta na guilhotina – Quadro do Museu da Revolução Francesa em Vizille - França

Foi nesse contexto e principalmente após a primeira fase da Revolução Industrial, que Comte desenvolveu seus estudos. Muito embora ele seja o responsável por cunhar o termo usado até hoje, Sociologia, a criação dessa área de estudo não foi desenvolvida por apenas um cientista ou filósofo. O que determinou o objeto de estudo foi à necessidade de compreender a configuração da organização social em que se encontravam as mais diversas sociedades da época.
E por falar em época você sabe quando se iniciou essa tal de Revolução Industrial?

                    
               Cena do filme Tempos Modernos de Charles Chaplin – Uma crítica à mecanização das relações no trabalho.

Alguns autores indicam como início da Revolução Industrial o ano de 1698, que foi quando Thomas Newcomen inventou a primeira máquina a vapor que depois em 1765 por James Watt. Mas historiadores importantes como Eric Hobsbawm consideram que ela só teve início em 1780. Fato é que, polêmicas a parte, ela se iniciou na segunda metade do século XVIII na Inglaterra.

O Contexto da Sociedade na época.

Foi na Inglaterra que começam a surgir às primeiras indústrias. Uma empreitada de uma parte da burguesia local que havia enriquecido muito com o comércio e com os juros advindos de empréstimos de dinheiro. Em meados do século XIX, o modo de produção industrial que substituía a manufatura, tomava conta de grandes centros urbanos europeus, tendo Londres e Paris como seus maiores expoentes.
Isso causou um grande êxodo rural (migração interna) que ocasionou uma explosão demográfica, que veio seguida de inúmeros problemas sociais decorridos da falta de emprego para todos. As consequências foram fome, miséria, violência, condições precárias de saneamento, trabalho escravo, trabalho infantil (mais comum) e consequentemente, alastramento de epidemias. A vida nos centros urbanos para a população mais pobre era caótica e miserável (Alguma relação com a atualidade?), e mesmo para os que conseguiam trabalhar nas novas indústrias, a vida era difícil, devido à desumana exploração de sua mão de obra por parte da burguesia, o que resultou em exaustivas jornadas de trabalho (em média 16 horas de trabalho/dia) e baixa remuneração (De novo pergunto: Você vê alguma similaridade com a atualidade?).
A explosão demográfica verificou-se apenas a partir de 1750, mas já havia uma tendência para o crescimento desde o século XVII. Segundo George Rudé, a população da Europa teria passado de 100-120 milhões de habitantes em 1700 para 120-140 milhões em 1750, atingindo os 180-190 milhões em 1800.
Na Inglaterra e do País de Gales passou de cinco para nove milhões de habitantes. Entre os países com um crescimento mais lento salientam-se a Espanha, a França, cerca de 30%, a Itália mais de 30% e Portugal com cerca de 50%.
A Europa saía assim do "Ciclo Demográfico Antigo" e entrava no "Ciclo Demográfico Moderno".
Para você entender a dimensão de uma comparação com a atualidade veja os dados demográficos atuais da Inglaterra:

·         População: 61.565.422 habitantes. (Homens: 30.202.183; Mulheres: 31.363.239).
·         Composição: Ingleses 82%, escoceses 10%, irlandeses 2%, galeses 2%, outros 4%.
·         Taxa média anual de crescimento populacional: 0,5%.
·         População residente em área urbana: 90,05%.
·         População residente em área rural: 9,95%.
·         População subnutrida: menor que 5%.
·         Esperança de vida ao nascer: 79,2 anos.
·         Domicílios com acesso à água potável: 100%.
·         Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,849 (muito alto).
·         Produto Interno Bruto (PIB): 2,6 trilhões de dólares.
·         PIB per capita: 45.549 dólares.
Mas o que foi essa Revolução então?

Vejamos a seguir a definição segundo o site brasilescola.uol.com.br:

“A Revolução Industrial foi o período de grande desenvolvimento tecnológico que teve início na Inglaterra a partir da segunda metade do século XVIII e que se espalhou pelo mundo causando grandes transformações.
A Revolução Industrial garantiu o surgimento da indústria e consolidou o processo de formação do capitalismo.
O nascimento da indústria causou grandes transformações na economia mundial, assim como no estilo de vida da humanidade, uma vez que acelerou a produção de mercadorias e a exploração dos recursos da natureza.
Além disso, a Revolução Industrial foi responsável por grandes transformações no processo produtivo e nas relações de trabalho.”


                Para você entender melhor a revolução industrial e as novas relações de trabalho e processo produtivo indicamos aqui alguns filmes sobre o tema:

                   

·         Tempos Modernos (1936) de Charles Chaplin (foto acima);
·         Germinal (1993) – Baseado no romance de Èmile Zola;
·         Os Miseráveis (2012) – Baseado no romance de Victor Hugo;
·         A modernidade chega a vapor (2002) – Documentário do MEC sobre a chegada da revolução industrial no Brasil;
·         Oliver Twister (2005) – Baseado no romance de Charles Dickens.

                                                                        CONTINUA...

Autor - Francisco Orlando Cozeto Filho

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